terça-feira, 21 de setembro de 2010

"era pequenina, frágil.
os seus olhos verdes, de chorar, reflectiam a relva molhada, por o orvalho da grande arvore, numa enevoada manha de outubro. o céu estava escuro, coberto de nuvens cinzentas, prestes a sair .
ela estava ali, sentada, sozinha. nao queria ver ninguem, nao queria ouvir nada. queria ficar ali, sozinha, ela e o unico passarinho azul que ali se encontrava.
nao era momento para ir a lado algum, muito menos para uma escola barulhenta, ouvir a historia do povo portugues a um seculo atras, ouvir gargalhadas de pessoas felizes, gargalhadas de gente que pensa ser feliz, de gente que tenta ser feliz.
nao. nao era momento para o enfrentar, ainda nao. era cedo. o sentimento nao estava derrotado, a tristeza nao tinha a pedra gigante que ela tinha tentado colocar-lhe em cima, nao, nada disso era real, ainda nao.
ela tentava pensar que nao o merecia, que ele nao era ideal nem suficiente para a fazer feliz. mas nao, as coisas nao funcionavam como ela imaginava.
ele nao tinha desaparecido, ela nao o tinha esquecido. ele nao a sabia ignorar, e porque, perguntava-se ela. porque?
ela nao sabia porque é que alguem como ele, tinha aquele efeito. achava que ele nao tinha feito nada para que isso assim fosse. mas fez, algo ele fez. eles encaixavam, mesmo sem o perceberem, alguem lhe disse que sim.
por isso ficou ali, pensou, chorou, recordou e sorriu.
é como tentarmos perceber porque é que todos os anos, por a mesma altura, as folhas caem, o sol ja nao brilha como à uns meses atras brilhava, algumas frutas ja nao nascem, algumas flores ja nao dao cor aos campos.chove. faz frio.
adormeceu, ali mesmo. estava cansada. cansada de chorar, cansada de pensar, de recordar, de sonhar.
acordou. os seus olhos nao eram mais verdes, tinham agora assumido um tom de mel, um tom claro e puro, o que poucas vezes acontecia nos ultimos tempos. nao tinha mais vontade de chorar. ja nao lhe apetecia gritar, e odiá-lo.
agora nao. estava sol, o som dos passaros na arvore, um vento leve e suave, acalmava-lhe o coraçao, e a cabeça. o pior tinha passado, disso ela tinha a certeza. estava quase livre, e ela sabia o que lhe faltava para o ser totalmente.
deu um salto, espreguiçou-se e sorriu. arranjou a sua saia as flores, amarrotada e ja verde daquela relva. e foi. enfrentou tudo, sempre com um sorriso.
mas sabia que ainda lhe faltava algo... "

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